sexta-feira, 26 de novembro de 2010

HISTÓRIA DA CONVERSÃO À IGREJA MORMÓN DE GIUSEPPE MARTINENGO

Eu não nasci e cresci em Utah entre os Mórmons mas fui criado por uma família católica na Itália.
Quando eu tinha 10 anos de idade meu pai morreu devido a um cancro de pulmão (ele fumava cigarros) aos 47 anos de idade. Sua morte mudou tudo em minha vida. Eu era então o filho único de uma jovem mãe viúva (minha mãe tinha 33 anos de idade).
Apesar de todos os esforços feitos pela minha mãe para me ajudar a lidar com a situação, rapidamente eu percebi que algo tinha mudado, não só na minha vida normal, mas também dentro de mim. Eu não me sentia mais como as muitas outras crianças, que podiam ser apenas crianças sem muitos problemas, e especialmente sem muitas perguntas sobre a vida e sem sentir uma súbita tristeza.
Por causa da morte de meu pai, eu percebi que algumas pessoas começaram a me tratar de maneira diferente e, ao longo do tempo tive que enfrentar algumas duras questões sobre o sentido de nossa existência aqui na terra.
Eu não percebi a importância do que se passava dentro de mim até eu ter a idade de 13 ou 14 anos. Contudo, com a idade de 14 anos eu estava começando a me sentir muito insatisfeito com o mundo em torno de mim e com as respostas que meus professores, familiares e religiosos me davam sobre as questões importantes da vida.
Eu estava começando a perceber que talvez estivesse faltando algo nas crenças da maioria das pessoas em torno de mim, mas eu não estava certo do quê.
É importante salientar que a presença da Igreja Católica foi muito forte em meu ambiente familiar, e que ainda posso lembrar de uma situação, quando eu tinha cerca de 9 ou 10 anos de idade, em que durante uma aula na escola sobre as pessoas de outras crenças, eu perguntei a mim mesmo: “Como podem as pessoas não serem católicas? Eles não sabem que todos eles irão viver para sempre no inferno? Porque eles não mudam de religião e tornam-se todos católicos?”. Essa foi a força da tradição católica no ambiente em que eu vivia.
A morte do meu pai, no entanto, começou a mudar a minha posição. O Senhor às vezes trabalha de forma misteriosa para realizar seus propósitos.
De fato, depois da morte de meu pai, minha mãe diminuiu seu envolvimento com a Igreja Católica. Ela ainda era católica, mas, talvez porque ela não encontrou o que estava procurando para lhe ajudar com essa difícil situação de perda, ela começou a buscar em outros lugares.
Ela começou a ler livros sobre religiões e filosofias orientais, como Ioga, Zen, Budismo e ela tornou-se praticante do Ioga.
Sua exploração abriu um mundo novo para mim. De repente, eu estava lendo sobre outras religiões e filosofias e fui descobrindo que havia várias coisas interessantes para serem aprendidas.
Comecei a perceber que talvez na Igreja Católica não houvessem as melhores respostas para as perguntas da vida.
Além disso, eu comecei a me familiarizar com os conceitos de progressão espiritual e a idéia de auto-aperfeiçoamento espiritual.
Não que estes conceitos sejam completamente ausentes na tradição católica, mas na vida cotidiana de um católico isso é coisa quase inexistente, uma vez que este aspecto é apenas enfatizado para aqueles que abandonam a vida “normal” e tornam-se padres ou freiras.
O meu religioso favorito foi São Francisco de Assis, mas eu não gostava da idéia de que um homem ou mulher religiosos deveriam desistir do casamento para seguir uma vida religiosa plena.
Eu tinha um amigo querido, Stefano, que era um dos membros de um pequeno grupo protestante. Eu sempre fui atraído pelo fato de que este e outros grupos protestantes tinham rejeitado o princípio do celibato em suas igrejas. Quando as pessoas como eu estão imersas em uma forte cultura católica, estes pequenos exemplos ou idéias podem fazer uma grande diferença ao longo do tempo e nos podem dar a coragem de perseguir algo diferente, apesar da forte pressão da tradição.
Quando eu tinha 15 anos de idade, passei por outra importante experiência. O cenário foi o de uma viagem a Roma. O objetivo da viagem era para a juventude católica de toda a Europa encontrar-se com o Papa.
Naquela época eu estava envolvido com a juventude da minha paróquia, mesmo quando eu já estava começando a questionar algumas crenças. Durante essa viagem, algo especial aconteceu.
Especificamente neste dia, milhares de jovens estavam preparados para encontrar o Papa na Basílica de São Pedro.
Tínhamos sido preparados há meses para este encontro especial. Jovens de toda a Europa tinham viajado para estar alí. Obviamente, o Papa não estava presente quando chegamos e por isso todos que estavam reunidos ali no piso da igreja começaram a cantar.
Eu realmente não cantava, mas eu ouvi, por alguns instantes os cantos gregorianos, e depois comecei a não me sentir bem.
Eu tinha grandes expectativas sobre esta visita especial ao Papa, mas depois de um tempo comecei a pensar: “O que estou fazendo aqui? Por que eu estou aqui afinal? Só por que outras pessoas me disseram que seria especial?”.
Eu fiquei em dúvida por um tempo, e então decidi me levantar e sair. Tive uma sensação de alívio quando eu deixei aquela estranha atmosfera na Basílica São Pedro.
Eu tinha um tio que morava em Roma e decidi visitá-lo e passar algum tempo com sua família em vez de ficar naquela reunião com o Papa.
No caminho de volta para minha cidade, no norte da Itália, enquanto ainda estava no trem tive a oportunidade de dizer o que eu tinha feito para o nosso guia, um sacerdote muito amigável. Eu disse-lhe sobre os meus sentimentos, minhas dúvidas, e sobre o fato de ter saído da reunião.
Comecei a fazer algumas perguntas sobre as crenças católicas. Após me ouvir e discutir comigo durante algum tempo, ele finalmente disse: “Se você acredita nestas coisas, então você não é um católico”. Isso foi realmente uma afirmação forte e desafiadora, um convite de volta à ortodoxia. Fiquei um pouco perplexo, mas eu respondi: “Então, eu provavelmente não sou um católico!”
Suponho que o Espírito do Senhor estava presente naquele dia me dando apoio e abrindo minha mente, porque me senti aliviado quando eu disse o que eu realmente estava pensando, e não estava com medo da reação do sacerdote.
Após esse episódio, a minha busca de respostas foi direionada principalmente para fora da Igreja Católica.
Quando confrontado com minhas perguntas, o sacerdote não encontrou nada melhor para me sugerir a não ser que eu tivesse uma fé cega ou que me considerasse um herege!
Vários anos se passaram após este episódio, e eu continuava me encontrar com meus amigos Católicos mas já estava mais envolvido em ler livros sobre outras religiões.
Os livros foram minha principal fonte de informação sobre outas religiões. Um autor que realmente tinha uma forte influência sobre mim neste período, por exemplo, era Sri Aurobindo. Não consigo lembrar de detalhes do que li naquela epoca, mas Sri Aurobindo, em seus livros sugere que a humanidade pode evoluir espiritualmente para além das suas atuais limitações e chegar a um futuro estado de existência “supramental”. Isso seria como um passo “evolucionário”  para a humanidade que deveria ser conduzida a uma vida divina na terra. Esta idéia me faz lembrar o Milênio, mas a Bíblia nos ensina que o Milênio não será uma consequência da “evolução”. De qualquer maneira através deste autor e outros eu estava abrindo a minha mente a novas idéias.
Baseado em meu conhecimento atual e testemunho dos ensinamentos da Igreja Mórmon, não posso evitar de pensar que, ao ler os  escritos deste autor e outros como ele, eu estava movendo um passo à frente no sentido de abrir a minha mente para compreender mais tarde alguns conceitos fundamentais da doutrina mórmon, alguns dos quais não são claros ou aceitos por muitos cristãos tradicionais.
Creio que o Espírito do Senhor ensina as pessoas de acordo com sua língua e seu nivel de compreensão, e guia os que sinceramente buscam conhecer a verdade passo a passo, até que estejam prontos para a plenitude do Evangelho.
A minha busca pela verdade continuou a se intensificar até que atingiu o seu clímax quando eu tinha 19 anos de idade.
Um dia eu estava em Torino, onde eu estava avançando com meus estudos em Física. Eu tinha escolhido estudar física, não porque quisesse me tornar um novo Einstein, mas por causa de livros como O Tao da física de Fritjof Capra, livros que falam sobre os paralelos entre a física moderna e o misticismo oriental.  É desnecessário dizer que, o meu interesse pela física não era nada mais do que um outro passo na minha busca pela verdade religiosa, e fiquei muito desapontado com o meu programa de graduação na Universidade de Torino. Assim, como em outras ocasiões, neste dia eu não estava estudando física, mas estava lendo um livro sobre a história da filosofia indiana.
A certa altura, neste dia, eu decidi sair para um passeio para relaxar e pensar na vida. Enquanto eu estava caminhando pela cidade, alguém me parou e perguntou se eu queria fazer um teste psicológico. Eu não mencionei isso antes, mas eu também tinha me interessado por psicanálise e psicologia, e tinha gostado de livros como os de Erich Fromm, “A Arte de Amar” ou “Ter ou Ser?” e assim por diante. Por isso, fiquei um tanto curioso sobre este teste.
Este teste foi o início da minha última etapa na minha busca pela verdade. Depois disso, eu tinha perdido o meu receio de me desligar da tradição católica, e me tornei quase incompreensível para minha família e meus amigos católicos.
Posso dizer agora que eu estava pronto para encontrar os missionários Mórmons e, sobretudo, para compreender e aceitar a sua mensagem, menos do que um ano mais tarde, graças a todas estas experiências.
Mas quem estava por trás daquele teste psicológico? Os membros do grupo de Dianetics e  Cientologia.  O seu enfoque  sobre a melhoria pessoal combinada com conhecimento científico, religioso, e psicológico me atraíram por um curto período de tempo, mesmo que nunca tenha realmente me envolvido com eles,  porque após o interesse inicial compreendi que eles também não tinham as respostas que eu estava buscando.
No entanto, mesmo esta experiência relativamente negativa teve pelo menos um importante resultado positivo. A Cientologia desfez completamente as minhas últimas ligações psicológicas (e algumas doutrinais) com a Igreja Católica.
Eu me libertei ainda mais do peso da tradição com a qual cresci e permaneci forte na convicção de que havia alguma coisa além disso, em algum lugar, em alguma organização, ou em algum livro, que poderia me ajudar a responder às minhas perguntas sobre o propósito da vida.
Pode parecer de pouca importância para alguns, mas para ter a coragem de ir contra a ortodoxia de séculos na Itália, ter a coragem de contestar pelo menos em nossa mente a tradição é um passo importante para que possamos estar prontos para receber um testemunho e  aceitar o Evangelho Restaurado.
Isso foi especialmente verdadeiro para mim, pois eu não decidi ser batizado na Igreja Mórmon por razões sociais ou por um interesse temporário, mas porque eu fui tocado pelo Espírito, após contemplar a simples mas poderosa arquitetura e lógica da doutrina Mórmon. O conceito de obter um testemunho da verdade pelo Espírito de Deus implica que confiar na tradição não é suficiente, mesmo quando esta tradição é verdadeira.
Eu posso testemunhar com toda a minha convicção de que a escritura que diz
Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Lucas 11:9)
é verdadeira, porque o Senhor me guiou pela mão através de diversas experiências até que eu encontrei o que estava realmente procurando, a verdadeira Igreja de Jesus Cristo, mais uma vez estabelecida aqui na terra.
Os anos escuros da minha vida finalmente terminaram quando eu conheci os missionários mórmons e eu só posso ser grato por ter nascido em uma época em que a verdadeira Igreja está presente na face da terra. Eu não posso imaginar as dificuldades impostas às pessoas que tentaram encontrar a Igreja, quando ela ainda não havia sido restaurada na terra.
Eu preciso reconhecer que devo à Igreja Católica minha primeira compreensão limitada de Jesus Cristo, crença que nunca me deixou, mesmo quando eu estava centrado em conhecer outras religiões. No entanto, devo a estas outras religiões e filosofias uma  compreensão melhor de muitos princípios verdadeiros e uma mente mais aberta que me ajudou a não ter medo quando eu finalmente encontrei a verdadeira Igreja de Jesus Cristo (dos Santos dos Últimos Dias).

Sem comentários:

Enviar um comentário

Queira deixar seu Comentário.